Ri Happy busca renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas após mudança de controle

Colunista

Rodrigo Franco

Pedido de recuperação extrajudicial foi apresentado 48 dias após a aquisição da rede pela BluSun Capital Partners; empresa afirma que lojas e canais digitais seguem funcionando normalmente.

A Ri Happy, uma das principais redes de brinquedos do Brasil, protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas. A iniciativa foi apresentada no domingo (18), apenas 48 dias após a aquisição da companhia pela BluSun Capital Partners, e integra o processo de reestruturação financeira da varejista.

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 Dona também da rede PBKids, a empresa busca reorganizar seus compromissos financeiros em meio à pressão provocada pelos juros elevados, às mudanças nos hábitos de consumo e ao aumento da concorrência no varejo. Apesar da renegociação, a companhia afirma que suas operações continuam normalmente.

Nova controladora assume negócio em meio à reestruturação

A BluSun Capital Partners anunciou, em 31 de agosto, a aquisição de 100% do Grupo Ri Happy. Os valores envolvidos na transação não foram divulgados.

A operação marcou o retorno de Héctor Núñez à presidência da varejista. O executivo, que já havia comandado a companhia anteriormente, voltou ao cargo com o desafio de melhorar a eficiência operacional e reorganizar as finanças do grupo.

Desde a mudança de controle, a nova gestão iniciou medidas para revisar despesas e processos internos. Entre as iniciativas anunciadas estão ajustes nas equipes corporativas e a preparação para uma mudança de sede.

A companhia, entretanto, não informou quantos funcionários foram afetados pelas mudanças nem qual economia espera obter com as medidas.

Como funciona a recuperação extrajudicial

A recuperação extrajudicial é um instrumento legal que permite a uma empresa negociar diretamente com seus credores um plano para reorganizar dívidas e estabelecer novas condições de pagamento.

Diferentemente da recuperação judicial, que envolve um procedimento judicial mais amplo, a modalidade extrajudicial permite concentrar as negociações em determinados grupos de credores, conforme os requisitos previstos na legislação.

O pedido não significa que a empresa declarou falência ou que suas atividades serão encerradas. O objetivo é buscar condições financeiras que permitam manter o negócio em funcionamento e cumprir as obrigações renegociadas.

Segundo informações divulgadas pela companhia, a proposta já conta com adesão significativa de credores. A empresa, porém, não detalhou publicamente todas as condições de pagamento nem a composição completa dos valores envolvidos.

Juros altos e concorrência estão entre os desafios

Em comunicado, a Ri Happy atribuiu as dificuldades financeiras a uma combinação de fatores, incluindo juros elevados, mudanças no comportamento dos consumidores, intensificação da concorrência e efeitos acumulados da pandemia.

O cenário aumenta a pressão sobre empresas que precisam manter estoques, pagar fornecedores, arcar com despesas operacionais e honrar compromissos financeiros.

No caso da Ri Happy, a reestruturação também exige atenção à relação com franqueados, fornecedores, administradoras de shopping centers e instituições financeiras.

A companhia pretende reforçar o controle de custos, preservar a liquidez e adequar sua estrutura de capital às necessidades da operação. A efetividade dessas medidas dependerá da evolução das negociações e da capacidade de geração de caixa do negócio.

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