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Emissora anunciou o cancelamento poucas horas antes do horário previsto para o confronto entre os candidatos; decisões do TSE e do STF modificaram regras previamente acordadas com as campanhas
A TV Globo cancelou, na noite de quinta-feira (1º), o debate entre candidatos à Presidência da República que estava previsto para ser o último confronto televisionado antes do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4).
O anúncio ocorreu pouco antes do início do programa, quando candidatos já se encontravam nos estúdios da emissora. Segundo a Globo, duas decisões judiciais recentes alteraram regras que haviam sido previamente estabelecidas com os partidos e campanhas, criando, na avaliação da empresa, insegurança jurídica para a realização do encontro.
Uma das decisões mencionadas pela emissora foi da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A magistrada determinou que não fosse mantido no cenário um púlpito vazio destinado a representar a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que havia informado que não participaria do debate.
O regulamento previamente acordado entre as campanhas previa justamente a manutenção do espaço destinado a um candidato ausente. Também estava prevista a possibilidade de os candidatos presentes formularem perguntas dirigidas ao ausente em uma das etapas do programa.
Na decisão, a ministra considerou que esse formato poderia provocar desequilíbrio entre os participantes, uma vez que o candidato ausente não teria oportunidade de responder ou apresentar contraponto durante o próprio debate.
Outra decisão veio do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a participação de Renan Santos, candidato do partido Missão, no debate.
A participação havia sido objeto de disputa judicial. Inicialmente, Renan não estava entre os candidatos convidados pela emissora segundo os critérios utilizados para definir a participação obrigatória em debates eleitorais. A decisão do STF determinou sua inclusão no programa pouco antes do horário previsto para o início.
A configuração do encontro já havia sofrido alteração durante a semana.
Na terça-feira (29), o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, modificou o entendimento utilizado para definir quais partidos teriam direito à participação obrigatória no debate. A decisão abriu espaço para a participação de Romeu Zema (Novo), que passou a integrar a lista de convidados.
O debate originalmente reuniria candidatos como Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury e Ronaldo Caiado. Com as decisões judiciais e alterações na composição, a organização do programa acabou sendo modificada sucessivamente nos dias que antecederam o encontro.
Lula já havia informado à emissora que não compareceria ao debate. No mesmo horário, o presidente participou de uma entrevista ao Flow Podcast.
Flávio Bolsonaro (PL), que inicialmente havia confirmado presença, anunciou poucas horas antes do programa que não participaria. Em publicação nas redes sociais, o candidato relacionou sua decisão à determinação do TSE sobre as regras envolvendo a ausência de Lula e afirmou que a imprensa deveria ser livre e as eleições, limpas.
Pouco depois do anúncio de Flávio, veio a decisão do ministro Gilmar Mendes autorizando a participação de Renan Santos.
Com a nova configuração, a Globo decidiu cancelar integralmente o debate.
Em comunicado, a TV Globo afirmou que as decisões judiciais recebidas nas horas que antecederam o programa interferiam nas regras previamente acordadas com os partidos.
A emissora declarou que sua tradição na realização de debates tem como objetivo proporcionar aos eleitores a possibilidade de conhecer e comparar propostas. Segundo a empresa, porém, as mudanças determinadas judicialmente inviabilizaram a realização do encontro dentro das condições estabelecidas anteriormente.
O episódio também provocou manifestações de entidades do setor de comunicação. ABERT, ANER e ANJ divulgaram nota conjunta criticando o que classificaram como intervenção judicial nas regras do debate e afirmando que as decisões afetaram a liberdade de imprensa.
Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury já estavam nos estúdios da Globo quando o cancelamento foi anunciado. Após a decisão, os candidatos fizeram críticas às mudanças determinadas judicialmente.
Zema afirmou que o episódio provocava insegurança política, enquanto Cury defendeu mudanças relacionadas ao funcionamento do STF. Renan Santos, cuja participação havia sido determinada judicialmente pouco antes do cancelamento, também criticou o desfecho. As manifestações representam as posições dos próprios candidatos sobre o episódio.
O cancelamento encerrou uma sequência de decisões judiciais, alterações nas regras e desistências que modificaram o debate até poucas dezenas de minutos antes de sua realização.
Para o eleitor, o resultado foi a ausência daquele que seria o último debate presidencial televisionado antes do primeiro turno de 2026, previsto para 4 de outubro.
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