PF arquiva apuração sobre suposta interferência estrangeira nas eleições brasileiras

Colunista

Rodrigo Franco

Procedimento preliminar foi encerrado após análise de informações sobre possível atuação dos Estados Unidos no processo eleitoral de 2026

A Polícia Federal decidiu arquivar a apuração preliminar que investigava uma possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras de 2026. O procedimento havia sido aberto após uma representação encaminhada pela Advocacia-Geral da União (AGU), que solicitou a verificação de informações sobre suposto financiamento estrangeiro relacionado à disputa eleitoral.

A abertura da apuração havia sido anunciada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, no último domingo (4), data do primeiro turno das eleições. Na ocasião, a PF esclareceu que se tratava de uma análise preliminar de inteligência, ainda sem a instauração formal de um inquérito policial.

O pedido da AGU teve como uma das bases uma reportagem do jornal britânico The Guardian sobre a destinação de aproximadamente US$ 1 milhão pelo governo dos Estados Unidos para um programa relacionado a lawfare e censura no Brasil.

Após analisar as informações, a Polícia Federal não encontrou elementos suficientes que justificassem a abertura de um inquérito policial sobre interferência estrangeira no processo eleitoral.

A decisão ocorre poucos dias depois de o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmar que não havia sido identificado qualquer indicativo concreto de interferência internacional nas eleições.

O episódio ocorre em um contexto de crescente debate sobre a influência de governos estrangeiros no processo eleitoral brasileiro. Em setembro, informações atribuídas à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apontaram preocupações relacionadas a possíveis ações de Estados Unidos e Rússia.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também havia manifestado preocupação com eventual interferência estrangeira, enquanto o governo dos Estados Unidos negou estar tentando interferir nas eleições brasileiras.

O arquivamento da apuração representa, portanto, a conclusão de que as informações analisadas pela PF não apresentaram, até o momento, elementos suficientes para sustentar uma investigação criminal formal sobre interferência estrangeira nas eleições de 2026.

A decisão, porém, não encerra outras investigações independentes relacionadas a possíveis ameaças ou atividades envolvendo interesses estrangeiros no Brasil.

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