Pedido de falência da Dolly: entenda como a tradicional fabricante de refrigerantes chegou à crise bilionária

A tradicional fabricante de refrigerantes Dolly enfrenta um dos momentos mais delicados de sua história. Após quase oito anos tentando reestruturar suas finanças, o grupo passou a ser alvo de um pedido de falência apresentado conjuntamente pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e pela Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, em razão de uma dívida tributária que ultrapassa R$ 15,7 bilhões.

Segundo as procuradorias, a empresa não conseguiu regularizar seus débitos fiscais nem cumprir os requisitos necessários para dar continuidade ao processo de recuperação extrajudicial, o que levou os órgãos públicos a defenderem que a decretação da falência seria a única alternativa para preservar os interesses dos credores e possibilitar uma investigação patrimonial mais ampla.

Como a crise começou

A crise da Dolly teve início em 2018, quando o grupo ingressou com um pedido de recuperação judicial para tentar reorganizar suas finanças e evitar a interrupção das atividades.

Na época, a empresa alegava enfrentar dificuldades decorrentes de investigações fiscais e bloqueios patrimoniais, fatores que comprometeram seu fluxo de caixa e a capacidade de honrar compromissos financeiros. Desde então, a companhia permaneceu sob supervisão da Justiça na tentativa de negociar suas dívidas e manter as operações.

Recuperação judicial não foi concluída

Após anos de tramitação, o processo de recuperação judicial foi encerrado sem uma solução definitiva em maio deste ano. Como alternativa, o grupo decidiu migrar para uma recuperação extrajudicial, modalidade em que a empresa negocia diretamente com seus credores antes de buscar a homologação judicial.

No entanto, de acordo com as autoridades, a Dolly não conseguiu preencher os requisitos legais necessários para dar continuidade ao novo modelo de recuperação.

Acusações feitas pelas procuradorias

Na petição encaminhada à Justiça, a União e o Estado de São Paulo afirmam que todas as tentativas convencionais de cobrança dos débitos tributários foram frustradas.

Os procuradores sustentam que o grupo utilizou a recuperação judicial para suspender execuções fiscais sem efetivamente solucionar o passivo tributário. O documento também aponta indícios de confusão patrimonial, sucessões societárias e criação de novas empresas para dificultar a cobrança dos tributos e preservar ativos do grupo.

Segundo a ação, a decretação da falência permitiria:

  • arrecadação de todos os bens das empresas;
  • investigação patrimonial mais ampla;
  • responsabilização de administradores, caso sejam comprovadas irregularidades;
  • eventual recuperação de ativos que possam ter sido desviados.

Dívida supera R$ 15 bilhões

O principal motivo do pedido de falência é o elevado passivo tributário da empresa.

De acordo com as procuradorias, a dívida ativa do Grupo Dolly está estimada em aproximadamente R$ 15,746 bilhões, sendo grande parte considerada exigível e sem garantias suficientes para assegurar seu pagamento.

Empresa ainda pode apresentar defesa

O pedido protocolado pela União e pelo Estado de São Paulo ainda será analisado pela Justiça. Até que haja uma decisão definitiva, a falência não está decretada.

Marca tradicional do mercado brasileiro

Fundada há décadas, a Dolly tornou-se uma das marcas de refrigerantes mais conhecidas do país, especialmente pelo refrigerante sabor guaraná e por campanhas publicitárias que marcaram gerações de consumidores brasileiros.

Agora, a empresa enfrenta um processo que poderá definir o futuro de suas operações e de uma das marcas mais tradicionais da indústria nacional de bebidas.

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