Vídeos de iPhones à deriva após naufrágio no Estreito de Ormuz são falsos, aponta checagem

Colunista

Rodrigo Franco

Cargueiro GFS Pride afundou após ser atingido por um projétil, mas imagens virais de pessoas recolhendo celulares e perfumes no mar foram geradas por inteligência artificial

Vídeos que mostram supostos iPhones e frascos de perfumes flutuando no mar após o naufrágio de um cargueiro no Estreito de Ormuz viralizaram nas redes sociais, mas as imagens que retratam pessoas recolhendo os produtos são falsas. Verificações publicadas por veículos internacionais identificaram conteúdo produzido por inteligência artificial (IA) e compartilhado como se fosse um registro real do acidente.

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O episódio chamou a atenção nas redes pela combinação de uma ocorrência marítima real com cenas extraordinárias de caixas de celulares e produtos de luxo supostamente espalhadas pela água. A circulação dos vídeos, entretanto, não comprova que a carga mostrada corresponda à embarcação que afundou.

Naufrágio do cargueiro foi confirmado

O navio porta-contêineres GFS Pride, registrado em Singapura, afundou após ser atingido por um projétil enquanto atravessava o Estreito de Ormuz, em 13 de outubro. A embarcação sofreu danos e pegou fogo antes de afundar.

Segundo a Autoridade Marítima e Portuária de Singapura, os 21 tripulantes foram evacuados em segurança, sem registro de feridos. A informação foi divulgada oficialmente em 14 de outubro.

A causa exata do ataque ainda exige cautela. Autoridades iranianas afirmaram que o navio atingiu uma mina naval, enquanto a autoridade marítima de Singapura informou que a embarcação foi atingida por projéteis de origem desconhecida.

Até o momento, não há confirmação independente que permita atribuir definitivamente o naufrágio a uma mina marítima.

Como os vídeos falsos se espalharam

As imagens compartilhadas nas redes sociais mostram supostas pessoas recolhendo caixas de iPhones e perfumes em diferentes cenários, incluindo embarcações próximas a contêineres e áreas costeiras.

Uma investigação da unidade de checagem de fontes abertas da Al Jazeera identificou vídeos semelhantes publicados originalmente por um perfil que divulga produções fictícias feitas com inteligência artificial. As análises apontaram inconsistências visuais características desse tipo de conteúdo.

Entre os problemas identificados estão deformações em objetos, embalagens com inscrições irregulares e pessoas com características físicas inconsistentes. Em alguns casos, os vídeos foram apresentados como registros reais do naufrágio, sem a indicação de que haviam sido gerados artificialmente.

A circulação dessas imagens ilustra como conteúdos criados por IA podem se aproveitar de acontecimentos reais para ganhar credibilidade e alcançar um grande número de usuários.

Carga do navio não foi confirmada

O GFS Pride tinha capacidade para transportar aproximadamente 2.824 contêineres. No entanto, não foi divulgada uma lista completa da carga que estava a bordo no momento do acidente.

Por isso, não há confirmação independente de que o navio transportasse iPhones, muito menos de que os produtos mostrados nos vídeos virais tenham sido recuperados da embarcação.

Embora autoridades marítimas tenham alertado para a presença de contêineres à deriva na região, esse fato não valida as imagens específicas que mostram pessoas recolhendo celulares e perfumes.

Estreito de Ormuz é rota estratégica para o comércio mundial

Localizado entre o Irã e a Península Arábica, o Estreito de Ormuz é uma das passagens marítimas mais importantes do mundo, especialmente para o transporte internacional de petróleo e gás natural.

A região enfrenta tensões militares que elevaram os riscos para embarcações comerciais. Ataques a navios e interrupções no tráfego marítimo podem afetar cadeias de abastecimento, custos de transporte e mercados internacionais de energia.

Nesse cenário, a divulgação de informações verificadas é fundamental para distinguir os acontecimentos confirmados das imagens manipuladas ou produzidas artificialmente.

O que se sabe até agora: o GFS Pride afundou após ser atingido por um projétil, e sua tripulação foi resgatada sem ferimentos. Já os vídeos virais que mostram pessoas recolhendo iPhones e perfumes foram identificados em checagens como produções de inteligência artificial, sem comprovação de que retratem a carga real do navio.

Fontes: Autoridade Marítima e Portuária de Singapura, Reuters, BBC e Al Jazeera.

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