Dificuldade de diagnóstico precoce de autismo no SUS preocupa famílias e especialistas

Foto ilustrativa feito po Inteligência artificial

O acesso ao diagnóstico precoce do Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda é um desafio para muitas famílias que dependem do atendimento público de saúde no Brasil. Pais e responsáveis relatam longas filas de espera, falta de especialistas e demora para conseguir consultas no Sistema Único de Saúde (SUS), o que pode atrasar o início de terapias fundamentais para o desenvolvimento das crianças.

Especialistas explicam que os primeiros sinais do autismo podem surgir ainda nos primeiros anos de vida. Dificuldades de comunicação, pouco contato visual, atraso na fala e comportamentos repetitivos são alguns dos indícios que podem levar à investigação clínica. No entanto, na rede pública, muitas famílias enfrentam meses — e às vezes anos — até conseguir avaliação com neuropediatras, psiquiatras infantis ou equipes multidisciplinares.

Segundo profissionais da área da saúde, o diagnóstico precoce é considerado essencial porque permite iniciar intervenções terapêuticas ainda na infância, período em que o cérebro apresenta maior capacidade de desenvolvimento. Terapias como fonoaudiologia, psicologia e terapia ocupacional podem ajudar a melhorar a comunicação, a interação social e a autonomia da criança.

Apesar disso, a realidade para muitas famílias que dependem do sistema público é de espera prolongada. Em algumas cidades, a demanda por avaliação especializada supera a capacidade de atendimento, principalmente devido ao número reduzido de profissionais especializados em desenvolvimento infantil.

Pais também relatam dificuldades dentro das escolas. Muitas vezes, os primeiros sinais de que algo pode estar diferente são percebidos por professores, que orientam os responsáveis a buscar avaliação médica. No entanto, sem o diagnóstico formal, a criança pode ter dificuldade para acessar direitos garantidos por lei, como acompanhamento educacional especializado e terapias.

Entidades que atuam na defesa das pessoas com autismo destacam que a ampliação do acesso ao diagnóstico no sistema público é fundamental. Entre as medidas defendidas estão a capacitação de profissionais da atenção básica, a ampliação de equipes multidisciplinares e a criação de centros especializados no atendimento ao autismo.

Para especialistas, quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de desenvolvimento e inclusão social da criança. Por isso, a discussão sobre o acesso ao diagnóstico precoce dentro do sistema público de saúde tem ganhado cada vez mais destaque entre famílias, profissionais da saúde e movimentos de defesa das pessoas com autismo.

Texto : Amanda Godoy

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