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Nasce um mito

Que coisa mais gostosa que amar odiar alguém! Este misto de sentimentos, que somente os latinos podem entender! Quantas vezes admiramos alguém, mas de tal forma que não podemos falar abertamente, sabe por quê? Por que ele é um argentino, deu um passe perfeito para seu companheiro de equipe, esse passe deu origem ao gol que desclassificou o Brasil do Mundial de 1990!

Adorável maldito argentino, quanta qualidade que futebol primoroso, mais ainda ele é menor que o rei Pelé, um brasileiro.

Como entender quando nasce um mito?

Ano de 1973, auge da carreira do maior artista marcial que o cinema viu, uma aspirina mata, Lee Jun Fan, o icônico Bruce Lee, Jun, também conhecido como Siu Long, (Pequeno Dragão) morreu, mas o mito, a lenda, a imortalidade nascem, eu ainda não era nascido, então tudo que eu sabia sobre ele era já da sua lenda, seus vídeos raros seus filmes icônicos. Em 1977, meio do ano, Elvis Aaron Presley, perdeu a luta com o seu vício a remédios controlados, em 1956 nasce um músico e cantor extraordinário, mas em agosto de 1977, o Rei do Rock, vira um ser mitológico, tão mitológico que para alguns, Elvis não morreu, driblou a morte e ainda está em Graceland, passeando pelo mundo e curtindo o som.

O ano é 1962, a música Love Me Do, aquela galera de Liverpool, Paul, Ringo, George e até que enfim conseguiram um baita baterista Ringo, chegaram a formação final dos The Beatles, esses quatro jovens ganharam o mundo, fizeram com uma geração inteira se tornasse mais conhecida pela qualidade dos músicos que ela gerava, mas estes quatros eram extraordinários, eram praticamente os donos do mundo, mas em 1970 um casamento, muda a história dos quatros “Besouros”, cada um deles seguem seus caminhos solos, ainda sim com tanta fama e sucesso como juntos, mas em 1980, Mark David Chapman, momentos após pedir um autografo, matou Lennon em frente à sua casa em Nova York, mas uma vez o mito surgia, entre tantas outras lendas que cercam este grupo, mas o ser mitológico foi Lennon.

Em 1984, nas pistas de Fórmula 1, um jovem brasileiro, aparece em pista no GP do Brasil com um carro de uma equipe pequena Toleman-Hart, fazendo uma corrida incrível iniciando uma carreira inacreditável, em 1988 na equipe McLaren, ganhou 3 campeonatos e em 1994, já na gigante equipe Willians, um acidente em rede de televisão mundial, no circuito de Imola, na curva Tamburello, morre no dia 1 de maio, Ayrton Senna da Silva, o Ayrton Senna do Brasil, qualquer brasileiro, vivo naquela época vai se lembrar da comoção nacional e mundial da morte daquele que para os brasileiros era um herói.

Ontem, no início da tarde, morreu Diego Armando Maradona, aos 60 anos, um ídolo, um ser em seu país, que foi divinizado, em sua Iglesia Maradoniana, onde Dieguito, é deus, e tem um culto, tetragrama, ainda contam com AD  e DD, antes de Diego e depois de Diego, a Argentina, diferente do Brasil, nós aqui temos uma ligação muito grande, com o império, o rei do futebol, o rei das pistas, a rainha dos baixinhos, mas os argentinos, divinizam, Evita Peron, por exemplo, a Santa Evita, ou Madona Evita, dos pobres e Diego, Diego es Dios.

Diego Maradona, foi uma pessoa controversa, um jogador fenomenal, minha visão, de goleiro do bairro, medíocre, está abaixo apenas de Pelé, gênios inalcançáveis, pois aquele futebol que um dia conhecemos, não é este de hoje, mais atlético.

Maradona, vi ontem em diversos comentários de pessoas do mundo do futebol ligados a ele que ele era um ser humano incrível, voltado ao próximo, como um garoto que um dia fora, pobre não conseguia ver pessoas em suas dificuldades, mas uma frase ficou marcada em mim, Diego não conseguem ser mal com ninguém, faz maldade apenas com uma pessoa no mundo, ele mesmo.

A fama, dinheiro, as facilidades encantaram o jovem Diego, que se envolveu em todo tipo de problema pessoal, mas o atleta, a que adorável detestável argentino, catimbeiro, marrento, mas bom, cara como ele era bom, ganhar dele era fantástico, mas perder para aquela Argentina, era ruim, mas eles tinham Maradona, não era nenhuma surpresa, tipo perder da Bolívia, era detestável perder, mas nos jogos de rua, quem não queria ser Maradona?

Ele parou cedo demais no futebol de alto nível, mas em 1986 ele reconquistou a moral argentina no jogo contra a Inglaterra, após a derrota nas armas, sobre o problema nas Ilhas Falklands, aqui erroneamente conhecida como Malvinas, aquele jogo, onde Diego marca o gol de mão, “la mano de dios” e a Argentina ganha da Inglaterra, lavando a alma do povo argentino, logo depois ganha da Alemanha e vence seu bi campeonato.

Mas agora as controvérsias sobre sua vida se acabaram, Diego descansa e seu legado vive, mais que isso, agora, enquanto seu velório nem se iniciou, nasce um mito, na grandeza de um Michael Jackson, que com suas vidas cheias de controvérsias e problemas, mas a transcendentalidade de suas histórias.

A Argentina, tão massacrada pelas políticas erráticas de seus governantes, nos últimos anos principalmente depois do governo de Ernesto, com todas as políticas erradas em relação a pandemia e o aumento da desigualdade na Argentina, um país que já foi uma das mais fortes Forças Armadas da América Latina, hoje relegada a um país sucateado, em tudo.

Em sua última entrevista Diego comenta:

“Ao povo vou ser eternamente grato. Todos os dias me surpreendem. O que vivi neste retorno ao futebol argentino não vou me esquecer jamais. Superou tudo o que eu podia imaginar. Estive muito tempo fora e às vezes me pergunto se o povo vai seguir me amando. Se seguirão sentindo a mesma coisa”

Diego, agora você saberá que não só Argentina te ama, mas o mundo que te viu jogar!

Eu sempre penso que pessoas como ele, estão tão desesperadas de amor e atenção, que ao chegarem no topo do mundo eles se perdem, depois continua se perdendo tentando se encontrar e muitas vezes esse encontro nunca acontece.

Maradona, sai da vida e entra pra história, seu legado superara seus gols, sua genialidade agora será estudada por aqueles que amam futebol!

Descanse Diego.

Obrigado por tudo que fez para o esporte mundial, foi uma honra amar te odiar!

Autor: Léo Godinho