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George Floyd brasileiro?

João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, conhecido como Beto ou Nego Beto, pelos amigos da torcida do seu time de coração, torcida organizada, sim, do Esporte Clube São José, time da série C do Campeonato Brasileiro, pouco sabemos da vida desse rapaz, apenas os relatos de alguns amigos, em uma pesquisa prévia, ele tinha um processo relacionado ao seu nome, pelo menos até agora, como diversos casais ele teve alguns desentendimentos com sua ex – mulher, foi indiciado por agressão, ameaça e lesão corporal, neste processo ele figurava como autor, não posso presumir que por esta conduta ele seja o principal culpado de estar sendo conduzido pelos seguranças por tal desentendimento com a caixa, tudo leva a crer que sim,

mas agora ele figura como vítima, sim, segundo o artigo 121 da lei 2.848/40, no seu segundo parágrafo, qualifica que por motivo fútil, asfixia e dificulta a defesa da vítima, logo tipifica nos itens II, III e IV que qualifica triplamente esse homicídio.

Não quero em nenhum motivo desprezar ou menosprezar este crime, foi um crime hediondo segundo a lei, piorando ainda mais pois a vítima, apesar dos seus antecedentes criminais gozava de boa reputação entre seus pares, vamos lembrar de novo, Freitas é a vítima, repita comigo, Freitas é a vítima.

Não ficando dúvida alguma que me indique que este homem foi a vítima de um crime bárbaro, fútil, sem chances de defesa para a vítima, este homem, pai, marido, filho, irmão, primo, amigo, estava em suas compras no Hipermercado Carrefour, de novo ele, ei Carrefour, você precisa de alguém para cuidar da sua imagem, de coach, de um exorcista, de pastor, pai de santo, sei lá, a urucubaca e a incompetência andam alinhada com sua marca, quando já no caixa Freitas, supostamente, isto averiguará as investigações da Policia Civil, se desentende com a caixa, não sabendo o motivo do desentendimento, que houve parece ser um fato, mas porque, não sabemos ainda, como de praxe em qualquer estabelecimento deste porte, quando ocorrências deste tipo acontecem a segurança é chamada para conter e acalmar o elemento enquanto as medidas necessárias são tomadas, inclusive se preciso for a chegada da PM.

Durante o percurso, parece, que Freitas teria tentado ou agredido um dos seguranças, fato este testemunhado pelos funcionários do hipermercado, sendo que toda história tem três lados, o lado da vítima, o lado do agressor e a verdade, o do agressor, já foi ouvido, o da vítima, infelizmente nunca saberemos, mas a verdade esperamos piamente que a Polícia Civil descubra.

O que eu quero discorrer a partir de agora é se este crime foi um crime com motivação racial!

Assisti alguns vídeos e li diversos artigos, muitos cravaram que o crime foi motivado pelo fato de Freitas ser negro, porém as investigações sequer iniciaram.

Olhando os vídeos, não vi, claro, só assistimos, os poucos e insuficientes vídeos de alguns momentos das agressões, apenas sabemos de minutos mínimos e finais da vida dele, mas em nenhuma instância parece que foram motivados pelo fato de ser racial, mas sim do completo despreparo dos agentes de segurança que agiram de maneira totalmente irresponsável e amadora, truculenta e desproposital.

Se olharmos os dados quando falamos que a maioria das mortes violentas ocorrem entre negros e pardos, por isto qualquer crime com agente branco sobre uma vítima negra, é um sinal evidente de racismo estrutural?

Ao procurar a definição de racismo estrutural, me deparo com explicações sociológicas mais perdidas e preocupadas em manter uma retórica ideológica de uma explicação factual. Não, eu não acredito em um racismo estrutural, pois as estruturas que falamos são definitivamente, vagas e subjetivas, onde não há uma estrutura realmente formada na sociedade,

quando leio, que a lei Aurea, não foi uma lei desestrutural, não leu as leis que a antecederam e menos ainda compreendem que tal lei custou o trono da princesa Isabel, a Redentora, que previa indenizações e acesso a terras cultiváveis, mas o fim do Império brasileiro não trouxe uma estruturação racial, mas sim, uma estruturação de uma discriminação social, aumentando a força das oligarquias, que depois do governo de Campos Sales, campineiro, que cultivava café e inicia a Republica do Café com Leite, onde paulistas e mineiros se revezavam no governo, defendendo os interesses dos senhores de engenho, sendo que este ciclo só seria quebrado com a ascensão ao poder de Getúlio Vargas, neste período não houve uma perseguição ou leis que impediam os negros do Brasil de fazerem as suas coisas, porém aqui merece um adendo, até 1937 a capoeira no Brasil era crime e durante o Império, qualquer religião que não fosse a Católica Romana também era, havia uma flexibilidade em relação a alguns cultos e sim eram perseguidos os cultos de matriz africana, isto foi sendo resolvido com o amadurecimento social como democracia no Brasil, mas não como estrutura social propriamente dita, quando falo de estrutura estou falando de leis como as leis de segregação norte americanas, que até a Segunda Guerra, o USA Army tinha batalhões para homens negros, com sua maioria de oficiais brancos e leis, principalmente no sul dos EUA, que proibiam acesso da população negra em certas escolas, ambientes públicos, ônibus, até bebedouros eram separados, onde os bebedouros dos negros eram sujos e sem água filtrada ou gelada.

Nunca em nosso país desde a abolição da escravatura, tivemos alguma coisa parecida, ou com o apartheid, um regime de segregação, criado pelo primeiro-ministro sul-africano Daniel François Malan, que separou definitivamente os brancos, com todos os direitos dos negros com todos os direitos legais suprimidos.

Poderia aqui falar que por exemplo, a maioria dos policiais militares cariocas mortos pelo fato de serem policiais, são negros e tais estatísticas não interessam aqueles que já cravaram a morte de Freitas como um crime racial, por que destes policiais também não são?

O crime não comete racismo? Ou o policial não pode ser considerado negro?

Lógico que a maioria dos mortos em confronto com a polícia são negros ou pardos, talvez seja por que quase 60% da população seja constituída por estas etnias? Não vou argumentar, aqui, que o fato de que apenas 17% dos negros estarem nas classes mais ricas, pois o criminoso não vai para o crime por ser pobre, vai para o crime porque é vagabundo, esta desculpa que vai para o crime porque é pobre é uma ofensa a grande maioria de gente honesta que estão nas classes mais pobres do Brasil.

Sim temos diversas desigualdades no Brasil, temos sim o racismo e a discriminação, mas concluir que um fato, horrendo como este que aconteceu pode não ser racismo, mas um crime comum cometido pelo mais tipo de incompetente exemplo de profissional, como este.

Nunca se foi tão atual uma canção de 1993 do Gabriel o Pensador, a música Lavagem Cerebral, em seus versos mostra como deveríamos agir atualmente, 27 anos depois parece que desaprendemos, triste isso…

Estas pautas mais desunem nosso povo, segregam e afastam não somente da nossa realidade, mas máscara uma violência intrínseca e gratuita que alguns despreparados se colocam como seguranças.

Lavagem Cerebral

Gabriel O Pensador

Racismo preconceito e discriminação em geral
É uma burrice coletiva sem explicação
Afinal que justificativa você me dá para um povo que precisa de união
Mas demonstra claramente
Infelizmente
Preconceitos mil
De naturezas diferentes
Mostrando que essa gente
Essa gente do Brasil é muito burra
E não enxerga um palmo à sua frente
Porque se fosse inteligente
Esse povo já teria agido de forma mais consciente
Eliminando da mente todo o preconceito

E não agindo com a burrice estampada no peito
A “elite” que devia dar um bom exemplo
É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento
Num complexo de superioridade infantil
Ou justificando um sistema de relação servil
E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação
Não tem a união e não vê a solução da questão
Que por incrível que pareça está em nossas mãos
Só precisamos de uma reformulação geral
Uma espécie de lavagem cerebral Não seja um imbecil
Não seja um Paulo Francis
Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante

O quê que importa se ele é nordestino e você não?
O quê que importa se ele é preto e você é branco?
Aliás branco no Brasil é difícil, porque no Brasil somos todos mestiços
Se você discorda então olhe pra trás
Olhe a nossa história
Os nossos ancestrais
O Brasil colonial não era igual a Portugal
A raiz do meu país era multirracial
Tinha índio, branco, amarelo, preto
Nascemos da mistura então por que o preconceito?
Barrigas cresceram
O tempo passou…
Nasceram os brasileiros cada um com a sua cor
Uns com a pele clara outros mais escura
Mas todos viemos da mesma mistura
Então presta atenção nessa sua babaquice
Pois como eu já disse racismo é burrice

Dê a ignorância um ponto final
Faça uma lavagem cerebral Negro e nordestino constroem seu chão
Trabalhador da construção civil conhecido como peão
No Brasil o mesmo negro que constrói o seu apartamento
Ou que lava o chão de uma delegacia
É revistado e humilhado por um guarda nojento
Que ainda recebe o salário
E o pão de cada dia graças ao negro

Ao nordestino e a todos nós
Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói
O preconceito é uma coisa sem sentido
Tire a burrice do peito e me dê ouvidos
Me responda se você discriminaria
Um sujeito com a cara do PC Farias
Não, você não faria isso não…
Você aprendeu que o preto é ladrão
Muitos negros roubam mas muitos são roubados
E cuidado com esse branco aí parado do seu lado
Porque se ele passa fome
Sabe como é:
Ele rouba e mata um homem
Seja você ou seja o Pelé

Você e o Pelé morreriam igual
Então que morra o preconceito e viva a união racial
Quero ver essa musica você aprender e fazer
A lavagem cerebral O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista
É o que pensa que o racismo não existe
O pior cego é o que não quer ver
E o racismo está dentro de você
Porque o racista na verdade é um tremendo babaca
Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca
E desde sempre não para pra pensar

Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar
E de pai pra filho o racismo passa
Em forma de piadas que teriam bem mais graça
Se não fossem o retrato da nossa ignorância
Transmitindo a discriminação desde a infância
E o que as crianças aprendem brincando
É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando
Qualquer tipo de racismo não se justifica
Ninguém explica
Precisamos da lavagem cerebral
Pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural
Todo mundo é racista mas não sabe a razão
Então eu digo meu irmão
Seja do povão ou da “elite”

Não participe
Pois como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burriceE se você é mais um burro
Não me leve a mal
É hora de fazer uma lavagem cerebral
Mas isso é compromisso seu
Eu nem vou me meter
Quem vai lavar a sua mente não sou eu
É você

Autor: Léo Godinho